INOVA BERRINI

Escoteiros: Sempre Alerta!

Texto: Lucila Rupp / Fotos: Simone Ezaki

Dizem os escoteiros que é muito fácil reconhecer outro escoteiro. Mais do que hábitos como o cumprimento com a mão esquerda, o escoteiro tem condutas que ficam para toda a vida. No mundo corporativo, a regra não é diferente: escoteiro reconhece de longe outro escoteiro com quem vai trabalhar ou negociar.


Liderança, estratégia e trabalho em equipe são termos que, de tão usados, parecem ter perdido sua essência. Eles estão em qualquer treinamento, seleção, ou discurso sobre o mundo dos negócios. Longe de querer diminuir a importância desses conceitos, fundamentais para a sobrevivência de qualquer empresa e de qualquer profissional no mercado, fomos atrás de um grupo que, há mais de 100 anos, valoriza cada uma dessas palavras e ensina, por meio de jogos, vivências e exemplos, o que elas significam.

Estamos falando dos escoteiros, grupo de jovens que hoje reúne cerca de 30 milhões de meninos e meninas em todo o mundo. Fundado em 1907 pelo inglês Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, o movimento escoteiro tem como objetivo contribuir com o desenvolvimento de crianças e jovens, partindo de valores como fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina.

Companheirismos e lealdade: duas virtudes muito trabalhados nos grupos de escotismo
Jogos lúdicos em equipe

“O movimento tem a ideia de fazer o cidadão melhor e, por isso, valoriza o respeito e o trabalho em equipe”, afirma Sérgio Lucon, chefe escoteiro e presidente do Conseg Brooklin (Conselho Comunitário de Segurança do Brooklin).  Segundo Sergio, muitos treinamentos para executivos foram retirados de atividades escoteiras.

Sergio Lucon, chefe escoteiro e presidente do Conseg Brooklin

“O mais importante em qualquer atividade é ter estratégia, e isso serve tanto para os escoteiros quanto para os profissionais”  (Sergio Lucon)

Amor á pátria: grupo faz o hasteamento da bandeira nacional

Segredos do bairro

Não é difícil encontrar escoteiros no Brooklin – perto da Berrini há pelo menos três grupos. Mas um, em especial, chama atenção por sua localização e importância para o movimento do escotismo no Brasil.

Saudação dos lobinhos: a posição dos dedos é em v como as orelhas dos lobos.

Trata-se do primeiro grupo de escoteiros do estado de São Paulo (1º Gesp), que em 2020 completa 97 anos. A sede do grupo fica em uma extensa área rodeada de árvores na rua Baetinga com a avenida dos Bandeirantes.

Fundado em 1923, com o nome de “Boy Scouts Paulista”, o grupo participou de momentos importantes da história do estado, como a revolução de 1932, na qual os escoteiros atuaram nas frentes de batalha e em hospitais, auxiliando a Cruz Vermelha.

Essa e muitas outras histórias, documentos, fotos e objetos dos escoteiros que passaram pelo 1º Gesp estão reunidos em um pequeno museu no local.

Repleto de lenços das tribos escoteiras, o museu funciona como uma relíquia do bairro e pode ser visitado por todos os interessados.

Museu situado na sede do 1º Gesp

Para aqueles que quiserem ver o que os escoteiros andam fazendo atualmente, os cerca de 150 integrantes do grupo se reúnem todos os sábados.

“Quem passa pela Bandeirantes consegue ver só as árvores, e não imagina o que acontece aqui dentro. Mas o pessoal que mora por perto já está acostumando com escoteiro batendo na porta em busca de apoio para alguma campanha”, afirma André Spina, chefe escoteiro e coordenador da área de Tecnologia da Informação de uma indústria multinacional , que conta com membros da família Spina desde sua fundação.

“Mais de uma vez em entrevistas de emprego, o rumo da conversa mudou totalmente quando o entrevistador soube que eu tinha sido escoteiro, e isso acabou sendo um fator decisivo para eu ser contratado.” (André Spina)

O fato de ter sido escoteiro já rendeu a Spina retornos positivos da área de recursos humanos de empresas. “No movimento escoteiro aprendemos a importância do trabalho em equipe e como lidar com as diferenças. Um garoto que desde sempre convive com o diferente, vai saber lidar melhor com o diferente na vida adulta”, diz. A espaçosa área que abriga o 1º Gesp também é sede do 1º Clube Desportivo da Comunidade e da AAEB (Associação dos Amigos Excepcionais do Brooklin), que promove atendimentos para crianças e adolescentes com Deficiência Intelectual e Múltipla.



Escoteiros no Brooklin:

1° GESP (Grupo Escoteiro São Paulo)
Onde: rua Baetinga, 99
Tel: 99650-9361
www.gesp.com.br

Grupo Escoteiro Curumim
Onde: av. Pe. Antonio Jose dos Santos, 1.511
Tel: 5542-2471

Grupo Escoteiro Nove de Julho 25o. SP
Onde: rua Barão Jaceguai, 2351
www.genove25sp.com.br


* reedição da matéria na revista Nova Berrini, edicão 04


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